quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Menos mal


Natal

verdade
partilha
mentira
diferença
horror
beleza
amor
certeza
indiferença

seja lá o que isto for, que seja pelo menos para todos menos mal.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Fria e Gelada.



Não sei nada sobre ti. Apenas que todos os dias de manhã enquanto vou a cantarolar com a minha filha no carro, a tua presença recorda-me que há gente como tu e gente como eu.

Indiferentes ao que nos rodeia. Aqui somos iguais.

Chove a rodos, faz frio e tu lá estás, com mantas encharcadas em cima de ti, e um plástico transparente falsamente protector. Aliás tudo na tua vida deverá ser falsamente protector.

Há meses que ali passo, há meses que ali estás. Hoje decidi fazer qualquer coisa, como se fossem necessários meses para que eu me insurgisse... talvez tenha achado durante este período todo que alguém iria tratar de te recolher da rua gelada. Há sempre dentro de nós alguém que vai fazer por nós. Substitutos da nossa consciência que anulam a nossa perspectiva da realidade.

Mas enfim, ainda assim, liguei para a revista Cais, por algum motivo achei que podia ser por ali... Simpáticos, prontamente me orientaram para a Emergência Social (144). Obrigado, digo eu e ligo. Igualmente simpáticos e depois de algumas perguntas para as quais eu não tive resposta, com alguma insistência minha lá me transferem para “o sector”. A senhora explica-me que é muito importante a pessoa querer ajuda... Eu silencio a minha surpresa, ouço-a simplesmente. Se ele quer ajuda? Se o vamos agarrar pela mão e transportá-lo para um ambiente completamente desconhecido e até talvez agressor para os seus hábitos? Penso que nao. Ele não vai querer ajuda. Se conheço alguém na rua que quer ajuda? Talvez, mas raras são essas pessoas... Se conheço alguém sem ser na rua que precisa e quer ajuda? Também não... A vergonha é autoritária na solidão da doença e/ou da necessidade. Mas enfim, a senhora ficou com o meu número e disse-me que iam enviar uma equipa e falar com a esquadra mais perto. Aguardo.

Mas por algum motivo hoje ( e apenas hoje! ) aguardar não serve. Decido ir eu mesma à esquadra. Martim Moniz. Chego meio confusa pois o espaço é tão antigo que não se vê... apenas uma porta de madeira com um alçapão à entrada, que duvidosamente transmitia um lugar seguro ao qual se possa recorrer...

Lá fui. Quatro jovens agentes estavam sentados com uma pequena televisão a assistir à programação de uma canal português. Espantam-se com a minha entrada e observam-me com um olhar de total inadequação àquele espaço. Explico-me em tom de ajuda e de espanto. Explico que há muitos sem-abrigos nestas cidades, mas que estes ainda têm o instinto de se recolher da chuva, do frio. Este não. Apenas fica ali deitado, sem qualquer instinto de se levantar para urinar, ou proteger-se. Tem fezes à volta dele e dele mesmo. E todos os dias, ali está aos olhos de todos.

Os jovens agentes sorriem enquanto me explico. Nada é novo do que lhes conto. Apenas que conduzem à camara ou à emergencia social... E claro, recordam-me que só se ele quiser é que o podem tirar dali, que a PSP não tem qualquer obrigação ou juridisção para tirar as pessoas da rua. Eu questiono-me, ele terá querer? Estará em condições de poder escolher? Haverá alternativa?
Derrotada venho-me embora.

Páro ao lado dele, decido sair do carro e perguntar aos que ali estavam o que sabiam. Pedem-me ajuda, explicam que são eles que o vão mudando de lugar, e de posição. Querem acreditar que consigo recolhê-lo dali. Todos afinal queremos, mas parece que ele não. E isso é que conta. Bizarro mundo este.

No caminho lembro-me que há uns anos fiz um trabalho de Voluntária da comunidade Vida e Paz para as Ceias de Natal dos Sem Abrigo. Decido ligar para lá. Sou bem recebida, encaminhada e garantem-me que alguma coisa vão fazer. Boas notícias, talvez. Mas no momento seguinte explicam-me: vamos ver se ele quer ajuda! E mais uma vez a minha expectativa fica por terra... Já que o céu hoje estava carregado. Fiquei de voltar a ligar amanhã. Sem promessas.

Final do dia, passo por lá novamente para ver se algo mudou. Nada, tudo igual. Chove e tu estás lá, no mesmo sítio, no mesmo charco com a cara tapada. E o plástico, protector.

Mais uma noite chuvosa e gelada. Tal qual eu me sinto.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Não sei mesmo pá



... a única coisa que sei é que as meias que eu trazia já não servem a ninguém. Talvez até nem sejam minhas, não me lembro onde as fui buscar. Fui eu que as fui buscar? Não acho que não. Sei que à data de hoje nem sei se trago meias calçadas (trago?) mas, se for preciso e se daí eu conseguir subir esta cadeira... sim, as meias são minhas e comprei-as na baixa. A baixa é o espaço onde todos não cabemos, daí precisarmos de tentar subir a cadeira.

Não sei mesmo pá.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Calça-te



De todas as coisas da vida, a falta de vontade e a fragilidade emocional são as que mais me impressionam. Ter de se aceitar por falta de alternativa, ter de olhar para dentro sempre do mesmo prisma e afinal nunca se reconhecer.

O que faltará na construção da nossa identidade para que simplesmente nos sujeitemos?
Quando ignoramos a nossa tristeza, perdemos para nós e para os que amamos. Talvez existam pessoas mais densas, mas em situação de necessidade todos acabamos por ser translúcidos.

E isso vê-se. Por quem abusa. Serve-te o sapato?

*respirar...*

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Remember?

Sem querer vim parar aqui...
É fascinante as boas memórias que este vídeo me recorda. Lembro-me de desejar ter um Natal assim, lembro-me de querer que o GM fosse meu namorado (NOT!), lembro-me de dançar isto muitas, muitas vezes.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Formatação errada



Não entendo as mensagens da vida. Surgem para baralhar, para abanar ou mesmo simplesmente modificar. Todos vivemos momentos de dúvidas, de emoções ambivalentes, de certezas, de caminhos conhecidos. Uns mais que outros mas todos passamos por lá.

Há quem se zangue, quem agrida, quem simplesmente deixe estar. Outros, em jeito de agressão directa expõem a parte mais íntima e privada que uma pessoa pode ter. Abusadores naturais.

A informação é poder, nem sempre é necessária, mas quando se partilha uma vida não há como evitá-la. E para alguns já é tarde demais. Seria talvez muito mais fácil se a nossa existência fosse menos analítica. Há gente que convive bem sem o pensamento, sem a análise e a contra-análise, mas de facto existem outras pessoas que não vivem assim. Nascemos com um chip comum mas com traços de personalidade tão diversos que em alguns casos a "estranheza" é parte essencial de todos. Uns porque aceitam de mais, outros porque não aceitam nada. A vida é surpreendentemente "carrossélica". E parte de mim também.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Vida cheia




Confesso que tive uma adolescência intensa. Cheia de tudo o que é possível viver-se nessa fase. Comecei cedo, com o privilégio de ser a cassula de 3 irmãos pelo que as portas estavam já abertas para a descoberta... Bastava-me observar e decidir o que escolher. Por vezes copiar apenas ou noutras reinventar. Inventar mesmo.

Não sou de uma família abastada, mas talvez de uma família exigente. Todos teríamos que vencer em qualquer lado. Nem que fosse na expectativa de sermos apenas o que somos, mas sempre com a atitude de Ser. Um avô paterno curioso e “mulherengo” determinou parte do rumo de todos nós... e somos de facto muitos, graças a ele. Este tema daria um grande “ensaio sobre a família nas futuras famílias” mas não é hoje o que me chama aqui.

A adolescência foi para mim, mais que infância o que determinou a mulher de hoje, e isso por vezes não se vê. São raras as vezes que falamos deste periodo na idade adulta, talvez porque nos traga tanta memória que a infância é mais fácil de integrar no adulto. Digo isto porque acho que o adulto escolhe sempre a parte que domina menos de si, para se auto-avaliar ou mesmo revelar. Sou assim, porque alguma coisa se passou algures e onde não me lembro bem. É claro que estou a referir-me a trabalho terapeutico.

Como adulta que sou hoje, e para a prática que esta fase exige, é para mim muito claro que tenho as minhas origens muito direitinhas na minha adolescência. Quando observo a minha filha, e outras filhas que tenho, mesmo que não sejam directamente minhas, arrepio-me quanto ao meu futuro como mãe. E estranhamente fui criada numa liberdade quase irreal para a época e descontextualizada quanto ao meu grupo de amigas. E aqui está a graça desta história. Gosto do que sou e devo-o a quem me permitiu Ser. Ou exigiu, como queiram.

Nos últimos meses, as maravilhas das redes socias virtuais permitiram-me reencontrar grande parte de mim. Os meus amigos de adolescência, alguns tão importantes ou mais que a minha própria família. Outros, controversos mas que hoje na idade adulta essa ligação nos une com o respeito do que fomos e logo somos hoje também.

Ficaria aqui a escrever mais 3 horas sobre este tema... mas apenas deixo o que sinto, nem que seja para me recordarem daqui a 10 anos. Deixem a porta aberta da curiosidade aos vossos filhos(as) adolescentes . Mesmo que isso signifique responsabilizá-los por essa irreverente abertura, dos pais. ;)

Para ti meu grande amigo de Guatemala que hoje me fizeste sorrir.
Para ti, parte de mim, que hoje me fizeste choramingar de emoção.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Preciso de ti




Talvez nem sempre te diga, mas preciso de ti. Do teu colo, da tua voz do teu cheiro. Da tua companhia permanente.

Raras são as vezes em que na vida nos permitimos a olhar para o outro com o devido respeito de um dia ele já não estar ali. O meu pai por exemplo. Tenho saudades da sua voz, do seu riso, do aperto do seu abraço. Deveria ter-lhe dito o triplo das vezes o quanto ele é importante para mim. Sinto claramente que a falta que ele me faz é resultado de alguma turbulência da mulher adulta que hoje sou.

Quando nasceu a minha filha, apenas desejava a minha mãe e a minha irmã por perto. Porque sim, porque as duas à sua maneira são o meu equilíbrio. Preciso delas, todos os dias. De as ouvir, de sentir que através das suas vozes estão bem, ou ansiosas, ou nada disso apenas estão lá. Da Mãe resistente solitária e da mana tolerante e protectora. Preciso disso

Cresci menina autónoma e independente, por vezes meio perdida numa família que cedo (para mim) perdeu uma parte. O mano mais velho, esse Ser ainda incógnito e fascinante que aparentemente não tinha que coabitar comigo. Mas está cá, bem dentro de mim. Preciso dele quando estou em falta com a incapacidade de lidar com partes da vida.

E agora reduzida a um único mano Homem, protector mas com tão difícil abordagem emocional, e sim também preciso tanto dele. Da sua practicidade e análise crítica.

Mas há tanta gente à minha volta que apenas precisa das pessoas com quem trabalha. Que anula a própria família considerando-a como secundária. Gente fantástica que se desfaz em elogios e pertença por pessoas que não conhecem bem ou quase nada. Para estas, é educação. Para mim é desalento. Só precisam afinal do superficial. Ou não.

Preciso de ti, das tuas mãos em mim e de tudo o que representas no meu crescimento. E sempre que não estás cá, assusto-me como uma criança meio perdida mas que a vida obrigou depressa a crescer.


sábado, 31 de outubro de 2009

Há 4 anos...


... aprendi a ser diferente.

Há quatro anos aprendi que não existo sozinha.

Há quatro anos passei a ser vulneravel.

Há quatro anos conheci o amor de uma forma intrínseca e definitiva.

Há quatro deixei de ser o centro do Mundo.


Há quatro passei a ser uma pessoa melhor. Mulher e mãe.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Substituí-te.



És meu amigo?
Que graça, sempre achei que sim. Mas de facto agora quando me chego bem perto vejo outra côr.

Estiveste sempre aqui? Talvez, mas sempre com cheiro a dever e sem nada de gratuito para devolver. Quantos amigos tens afinal?! 300? 400? e tens corpo para todos? Ah.... estás lá, tens mão. Mesmo que nos dias relevantes o mundo virtual se substitua a ti.

E se te substituis eu também o farei.
Há muito tempo atrás, mas ainda não o sabia.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Nada mais a dizer.



Vem aí mais um ano.

Olhamos para esta imagem e é brutalmente desvastadora pela igualdade do percurso. No fundo sentimo-nos sempre diferentes enquanto prosseguimos, mas nesta imagem consigo ver a minha avó, a minha mãe, a minha mana e claro eu mesma. E tantas amigas minhas...

Crescer é uma evolução natural mas cada um pode observá-lo da forma que mais lhe convém. Senão vejamos:

Uma lagarta, sai do seu casulo e surge uma borboleta cheia de cor mas não consegue voar. Está baralhada. Talvez seja em vez de uma lagarta, apenas uma borboleta amedrontada que não quer tentar voar. Durante a crisálida, alguém bateu à porta e era apenas um qualquer facto da vida que inadvertidamente alterou este processo. Já não é uma borboleta, apenas ficou lagarta. Ou lagarto. Os olhares dos outros animais à volta são de reprovação, pois nada conhecem sobre o sucedido e claro, na ignorância, o melhor é rejeitar. Baralhada, mas divertida com tal espanto geral, a borboleta fica simplesmente a observar, sem nunca voar. E pronto, nada a mais a dizer.

Outra lagarta, sai do seu casulo e linda de intensa côr começa imediatamente a voar. O rejubilo é geral e todos as observam no que consideram a realidade maravilhada. Conhecida, quero dizer. E pronto, nada mais a dizer.

Ainda outra lagarta, decide não ser borboleta. Decide ficar assim. Apenas ser o que é, sem processo de transformação. E pronto, nada mais a dizer.


Fascinante, não é? Então que venha mais um ano! E pronto, nada mais a dizer. (smile)

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Ainda sobre o "teu" tema...



"Quem poderá fotografar, registar, tactear o instante em que algo se rompe entre duas pessoas?

Quando aconteceu?
De noite, enquanto dormíamos?
Ao almoço, enquanto comíamos?
Agora, quando vim aqui?
Ou há muito, muito tempo atrás…e apenas não percebemos?

E continuamos a viver, a falar, a beijar-nos, a dormir juntos, a procurar a mão do outro, como bonecos animados que continuam a movimentar-se ruidosamente por um tempo, mesmo quando a mola do seu mecanismo está estragada…
O que posso fazer agora?
Que reflector devo acender para encontrar nessa escuridão, aquele momento único, aquele milésimo de segundo em que algo cessa entre duas pessoas ?”…..

In Divorcio em Buda, Sándor Márai

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A Janela...




Em tempos estudei muito esta imagem e hoje apareceu-me numa pesquisa e acho que devo partilhá-la. Para mim esta análise é fascinante. (em brasileiro...)
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“Para facilitar o entendimento das regras básicas da comunicação interpessoal, Joseph Luft e Harry Inghan idealizaram, em 1961, um diagrama conhecido pelo nome de Janela de Johari, onde através de apenas quatro rectângulos, dispostos de forma de janela, podemos conceituar todo o processo de percepção de um indivíduo em relação a si mesmo e aos outros. Os autores partiram do princípio de que cada um de nós tem (ou pode ter) quatro imagens distintas:

1) Imagem aberta
Você sabe que é o os outros sabem que você é.

2) Imagem secreta
Você sabe que é mas os outros não sabem que você é.

3) Imagem cega
Você não sabe que é mas os outros sabem que você é.

4) Imagem desconhecida
Nem você nem os outros sabem que você é.

A imagem aberta é aquelas que expomos plenamente; nós somos assim e todos sabem que somos assim. É uma espécie de retrato onde nos identificamos imediatamente e todos são capazes de nos identificar.•

A imagem secreta é de difícil percepção pelos demais, seja em razão do nosso propósito em escondê-la, seja pela dificuldade que apresenta para ser decodificada. Esta imagem comporta as taras sexuais e os sentimentos como o da inveja, por exemplo.

A imagem cega é aquela que traduz o lado desconhecido por nós mesmos mas de fácil percepção pelos outros. É caso do "chato"; ele não sabe que é chato mas as pessoas o vêem como tal e não têm a menor dúvida disso.

A imagem desconhecida é a mais complexa de todas, visto que nem nós nem os outros têm acesso a ela dentro dos padrões convencionais de comunicação interpessoal. Normalmente é aquela que encerra nossas potencialidades e todo o complexo mundo do nosso subconsciente.

Considerando que a nossa capacidade de comunicação decorre fundamentalmente da facilidade que oferecemos para a "descodificação" da nossa imagem, entende-se que quanto mais aberta for a nossa imagem, mais interacção pode provocar no meio em que vivemos.

Convém, entretanto, lembrar que as imagens são descodificadas segundo padrões estabelecidos pela sociedade (conceitos). Assim, a imagem aberta será tão mais aberta quanto mais enquadrada estiver dentro de tais conceitos.
Por exemplo: o homem culto - e que sabe que é culto - só será visto como culto se os outros tiverem o mesmo conceito de cultura que ele. E esta regra se aplica em todas as circunstâncias.”

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

À margem de nós mesmos



"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já não têm a forma do nosso corpo e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo de travessia e se não ousarmos fazê-la teremos ficado para sempre à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa

Nestas últimas semanas como que numa coincidência contextual, dou comigo a fazer parte de uma série de amigos que se estão a separar. O meu papel é e sempre será o mesmo. Não acho que se deva tentar, quando a nossa emoção já nos levou para outra realidade que não aquela que vivemos com determinada pessoa.

Acho claramente que a Monogamia (sim, a monogamia não o casamento) por uma vida inteira é um mito. Acho que para se estar junto só pode ser porque se quer continuar. Todas as morais à volta deste tema são, na minha perspectiva, véus de seda de algumas mentiras sociais que no fundo só atrasam a nossa evolução. Quantas de nós conhecemos que estão simplesmente por lá... cumprindo os rituais do casamento, sem qualquer noção da sua própria identidade interior? As nossas avós, as nossas mães e mulheres à nossa volta cumpriram em tempos um papel, um objectivo que na falta de tantos outros, apenas restava aquele que era simplesmente estar ali.

Tenho claramente telhados de vidro. Já me separei de um amor em tempos verdadeiro. E foi, mas também evoluiu à minha margem. Passados estes anos, descubro que hoje sou mais eu (ainda em grande investigação, por vezes até aparentemente insaciável). Comigo hoje outro amor, mais perto de mim. É difícil manter a expectativa da continuidade. É difícil não viver outros mundos. Mas é muito mais fácil e simples sentir que queremos esse amor aqui, agora, e ao nosso lado. O resto não somos nós que mandamos...

O importante é que nas dificuldades tão naturais deste percurso nunca nos sintamos à margem de nós mesmos.

Para vocês mulheres da minha vida que passam hoje por este percurso, parabéns por não se terem permitido ficar à margem da vossa verdade.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Sabes usar o teu coração?



"Era uma vez uma menina que sabia usar o coração. Sim, sabia que onde punha o coração nascia uma flor, nascia um som mágico, nascia uma borboleta, nascia um sorriso, nascia uma estrela-do-mar, o olá de um golfinho e um abraço de um amigo."

No domingo passado fomos com a nossa pequenina ver esta simples e tão doce peça. Não sei se sei usar o meu coração, mas sei pelo menos dizer que consigo claramente observar a forma como me modifico quando o uso...

A minha filha ainda hoje de manhã dizia-me em segredo (tal como na peça): - usa o teu coração...

Obrigada minha pequenita por me ensinares tanto.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A consciência é o antídoto para a imbecilidade



O texto não é meu. Mas tinha de o partilhar aqui.(F. SAVATER)

“Sabes qual é a única obrigação que temos nesta vida? Pois é a de não sermos imbecis. A palavra «imbecil» é mais densa do que parece, não duvides. Vem do latim baculus, que significa «bastão»: o imbecil é o que precisa de um bastão ou bengala para andar. Que não se zanguem connosco os coxos nem os velhos, pois a bengala a que nos referimos não é a que muito legitimamente se usa para ajudar a sustentar-se e a andar um corpo enfraquecido por algum acidente ou pela idade. O imbecil pode ser tão ágil quanto se queira e dar saltos como uma gazela olímpica, não é disso que se trata. Se o imbecil coxeia não é dos pés, mas do espírito: é o seu espírito que é enfermiço e manco, embora o seu corpo possa dar cambalhotas de primeira. Há imbecis de diversos modelos, à escolha:

a) O que acredita que não quer nada, o que diz que para ele é tudo igual, o que vive num perpétuo bocejo ou numa sesta permanente, mesmo que tenha os olhos abertos e não ressone.
b) O que acredita que quer tudo, a primeira coisa que lhe aparece e o contrário do que lhe aparece: ir-se embora e ficar, dançar e estar sentado, mascar dentes de alho e dar beijinhos sublimes, tudo ao mesmo tempo.
c) O que não sabe o que quer nem se dá ao trabalho de o averiguar. Imita os quereres dos seus vizinhos ou contraria-os porque sim, tudo o que faz é ditado pela opinião maioritária daqueles que o rodeiam: é conformista sem reflexão ou revoltado sem causa.
d) O que sabe que quer e sabe o que quer e, mais ou menos, sabe porque é que o quer. Mas que pouco, com medo ou sem força. Acaba sempre por fazer, bem vistas as coisas, o que não quer, deixando o que quer para amanhã, pois talvez amanhã esteja mais bem-disposto.
e) O que quer com força e ferocidade, em estilo bárbaro, mas se enganou a si próprio acerca do que é a realidade; despista-se em grande e acaba por confundir a vida boa com aquilo que o há-de tornar pó.

Todos estes tipos de imbecilidade precisam de bengala, ou seja, precisam de se apoiar em coisas de fora, alheias, que nada têm que ver com a liberdade e reflexão pessoais.

O contrário de se ser moralmente imbecil é ter-se consciência.
Em que consiste essa consciência, que nos curará da imbecilidade moral? Fundamentalmente nos traços seguintes:

a) Saber que nem tudo vem a dar no mesmo porque queremos realmente viver e, além disso, viver bem, humanamente bem.
b) Estarmos dispostos a prestar atenção para vermos se aquilo que fazemos corresponde ou não ao que deveras queremos.
c) À base de prática, irmos desenvolvendo o bom gosto moral, de tal modo que haja certas coisas que nos repugne espontaneamente fazer (por exemplo, termos «nojo» de mentir como temos em geral nojo de mijar na terrina da sopa em que vamos comer a seguir…)
d) Renunciarmos a procurar argumentos que dissimulem o facto de sermos livres e portanto razoavelmente responsáveis pelas consequências dos nossos actos.”

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

As pessoas e a verdade



Talvez hoje seja um dia de viragem.
Há muito tempo que o cansaço nos persegue, há muito tempo que a verdade nos invade. Talvez estejamos todos a conduzir embriagados pela bebida do ócio. Os estados depressivos são isso mesmo, o reconhecimento das não verdades que nos habituámos a desenvolver para que consigamos “fazer parte”.
É um facto que quando deparamos com as inadvertências deste percurso meio maluco que é a vida, acabamos por forçosamente darmos atenção ao relevante. Ontem ouvia dizer a alguém que já esteve no limite, que só assim se tornou uma melhor pessoa, um melhor ser humano. Talvez a rapidez com que hoje atingimos os objectivos sociais em detrimento dos pessoais, nos faça sentir que não chegámos a lado nenhum. Isto de ser um (a) optimista permanente tem que se lhe diga. Talvez o pensamento positivo por si só, chegue apenas a algumas mentes. Porque será que o desvio dos pensamentos negativos e destrutivos são por vezes tão difíceis de afastar? O que fará aos nossos neurotransmissores preferir um caminho coberto de emoções como o medo, a ansiedade e tantas outras bloqueadoras de evolução? Ou não será este o alerta para que compreendamos que se é ali que estamos, então escutemos os nossos próprios sinais.
Não sei. No entanto reconheço que as pessoas “não-verdade” estão por todo o lado. Porque precisamos de continuar. Melhor cego e continuar, do que com Visão e parado. Os outros precisarão que continuemos? Será mesmo assim? Talvez.

Depressão é um lugar-comum hoje. Desencantamento desencorajador. Se quando acabaram de ler este texto se sentirem deprimidos talvez seja porque eu estou deprimida. E aceito viver com isso, pois é tempo de começar a acabar com as minhas não verdades…
E escolho esse caminho, é para muitos o mais fácil pois soa a desistir. E os sobreviventes hoje são uma mais-valia. Para outros é o caminho mais desajustado face às expectativas que estavam guardadas.

Para mim é apenas a minha verdade.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Better together



Vivemos na época em que a sociedade considerada evoluída, estimula um caminho interior de grande competência individual. Antigamente, as pessoas, os amigos, as famílias ajudavam-se. E… mal ou bem, vivia-se com alguma partilha, debaixo do mesmo tecto e às vezes até comendo do mesmo prato ou panela.
Claramente o sucesso de uns era resultado de um apoio de outros. Porque os negócios eram transferidos de geração para geração, porque o Patrão ajudava o filho(a) da empregada que lá estava em casa ou mesmo somente porque era jovem e era preciso “dar um empurrão”. Ou porque simplesmente era assim.

Hoje em dia, não só não precisamos dos “velhos” como caso precisemos (porque a vida é muito astuta) é dever deles ajudarem. Com empréstimos, com apoio aos netos, com refeições ou outra coisa qualquer… Isto só no caso de estes serem independentes e autónomos pois caso contrário, já dão trabalho a mais. Não queremos.
Mas isto surgiu hoje porque é com alguma tristeza que assisto a muita gente à minha volta a necessitar de ajuda (inclusive na minha própria família) e as pessoas que o podem fazer ficam como que estagnados à espera que haja alguém que ajude. Acho mesmo que pensam que há-de surgir de algum lado… deles é que não. Mas a constante cerimónia para os que não são da família, lá está. É mais fácil mostrarem-se disponíveis para os de fora do que para dentro. Corrijo: não ajudam de facto, mostram-se disponíveis.

Os conceitos são totalmente diferentes,” estar disponível” e “ajudar de facto”.

Todos se interessam mas toca a fugir, antes que sobre para mim. É difícil ajudar. É difícil escutar a tristeza e os queixumes dos outros…estamos sem paciência, sem vontade de fazer parte dessa emoção.
Resultado prático: fazemos de conta. Voltamos às reminiscências da infância e brincamos com a realidade como se fosse uma fantasia. Mitómanos por excelência. E por isso não precisamos de ninguém, fazemos tudo sozinhos. Vivemos sozinhos (pois viver em conjunto dá muito trabalho), criamos filhos sozinhos (porque as nossas mães assim fizeram e nós, mulheres, mesmo a trabalhar também deveremos saber fazê-lo) e por fim auto sustentamo-nos emocionalmente porque não podemos entrar em borderline e entrar em depressão.

Não quero parecer cansativa, mas à minha volta muita gente tem receio de pedir ajuda. Ou será vergonha? Há sempre um preconceito na ajuda nos dias de hoje, a menos que seja um voluntariado que cumpra com as exigências da responsabilidade social…
Pois é. Eu cá cada vez mais preciso de ter ajuda à minha volta. Cada vez mais preciso de confiar nas pessoas que me envolvem, cada vez mais me traz bem-estar com elas. Cada vez mais sinto que sozinha sou quase nada. Gosto e PRECISO de receber. E cada vez mais NÃO QUERO gente fantasiada ao meu redor. É fantástico saber o que queremos.
Para ti. E vou claramente ajudar-te.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Equilibras-me



Neste tempo de indecisão, equilibras-me.
Quando me perco no labirinto em que me encontro, equilibras-me.
Quando me deixo levar pela corrente da normalidade, equilibras-me.
Quando me permito encostar a cabeça no teu ombro, equilibras-me.

Viver ao teu lado é equilíbrio.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Me and not you....



Setembro com o regresso é mesmo assim... cinzento e cansativo. Os que já cá estavam em produção desejam imenso mostrar como a vida continua, como Agosto não parou... lol.

A mim dá-me para rir. Tudo parou, ninguém quer saber e pior Setembro traz a dinâmica do "devagar"; "ainda agora cheguei".

Quando não se ama o que se faz é isto que acontece. You are boring. You, and you, and you. On end result: me.

Falta de amor pelo que nos rodeia e acção premeditada para concretização de objectivos, resulta em seres humanos decandentes. Presos nessa rede de influência e interesse. Interesse esse, somente em parecer.

I feel boring. And you?

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Ops!


este blog está a ficar demasiado catártico....

Crianças



Não sou fã dos portugueses em geral. Não sou fã do meu comportamento, muitas vezes conivente com os portugueses. Mas enfim, consigo reconhecer que este cantinho também traz vantagens. Este meu lado controverso por vezes faz-me pensar que viveria melhor, mais naturalmente em qualquer outro lugar.

Vivo num condomínio, na zona antiga e degradada da cidade de Lisboa. Temos um pequeno jardim que nos permite reuniões de vizinhos e da criançada. A minha filha é única (para já) e tem tido através deste espaço algo que não vejo na cidade de Lisboa... amigas a brincar cá em casa... partilha de brinquedos... aprendizagem sobre regras do espaço dos outros... entre outras vantagens que resultam desta convivência que nós pais também providenciamos.

À minha volta, observo "n" crianças que não nutrem qualquer tipo de respeito pelos pais, ou pelo outro. Confesso que sinto uma grande culpa às vezes quando me passo com a minha pequenita, mas reconheço que até agora, ela pelo menos conhece os limites. Tenho medo de perder isto e fico aterrorizada quando observo pais com medo de dizer não, antecipando um problema com o qual se sentem à partida derrotados.

Todos os dias a minha princesa nos coloca à prova. Todos. Chega a ser totalmente desgantante mas não deixa de ter piada.... (às vezes). Pergunto: que partilhas tivémos nós em crianças que bastava o meu pai olhar para mim e eu já nem respirava? O que mudou hoje afinal e para que tanto se escreve sobre um tema de ciência viva, que resulta numa mensagem perfeitamente antagónica? .... Pediatras que defendem exactamente o oposto para a mesma situação ... pais e mães que testam nos filhos (quais ratos de laboratório) dezenas de prácticas baralhando muitas vezes a própria criança? E depois? Que nos mostram as crianças? Que nada querem...nada os satisfaz... nada é valorizado.

Estaremos assim tão perdidos afinal que a partilha e a pertença já não têm lugar aqui? Enfim, quanto mais vivo de ser mãe mais observadora fico. Faço muito de errado com a educação da minha filha. Mas sei que no dia em que desistir de a educar e deixar andar (os pais de hoje protegem-se no "deixa andar" para assinalar a descontração, sim, porque hoje temos que ser descontraídos...) perdi-me a mim em 1º lugar e depois a minha filha.

As crianças crescem tiranas e baseadas em TER. Muito. As escolas ajudam. Os pais tambem. E eu sou mãe.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Leituras.. de mim.



Sempre fui uma leitora estranha. Adoro ler, mas de há 4 anos para cá raramente consigo acabar um livro. Hoje tenho clara noção da canseira que tenho quando me proponho a ler um livro até ao fim... ainda não entendi se é pela obrigação que sinto em acabá-lo, se é pela antecipação da frustação por não o conseguir. Hoje mesmo, durante um almoço com a minha gémea, dizia-me ela que leu 6 livros nas férias. Sei bem que é capaz disso e muito mais! Sei bem que a vida dela, hoje, lhe permite isso... Mas sei que fico a pensar muitas vezes no que tenho perdido nestes anos abstémios de leitura.

Cá em casa tenho um leitor compulsivo, que em viagem ou mesmo através das suas próprias fugas consegue sempre arranjar tempo para devorar o livro que quer. Eu, nem esse impulso de devorar tenho... às vezes numa livraria compro impulsivamente com um prazer extraordinário, 2 a 3 livros. Em casa folheo-os na diagonal e acabo por me desinteressar. Quando vivia sózinha, lia muito, de tudo. Adorava o silêncio da minha antiga casa, mesmo que parecesse que existia a solidão nunca a senti. Parece que esse espaço me permitia essa vivência. Hoje a minha vida é plena de actividades e tarefas, e dou comigo a sair às 4h da tarde e podendo optar, claramente prefiro ir buscar a minha filha do que sentar-me a ler um livro... tem graça.

Isto da maternidade tem que se lhe diga. Ou então sou eu que a leio assim...

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Consegues ver-te?



É incrível como tudo se baseia na forma como nos percepcionamos. Cada vez mais assisto a gatos a acharem-se Leoes... A suposta sabedoria que aposta na teoria e que em nada se aplica na práctica. Gatinhos assustados com medo de existirem que se protegem em espelhos e auto imagens de grandes feras.

E claro, são teus amigos. Um dia gatinhos, no outro Leões predadores duma selva domestica. Pior, não têm qualquer noção desta passagem bi-polar.

Há dias assim, em que eu gostaría de dizer-lhes que os estou "a ver..." ainda que nada adiantasse à sua evolução.

Hoje aprendi mais uma lição:
-consegues ver-me?...

Escolhas


"My dearest Catherine, I miss you my darling, as I always do, but today is particularly hard because the ocean has been singing to me, and the song is that our life together."
Por algum motivo que não sei explicar, nunca tinha visto este filme... Vi-o esta noite.
Gostei, captou-me e retive o diálogo do pai (excelente Paul Newman) para o seu filho:
- escolhe se queres ficar no ontem ou seguir para o amanhã.
Ele escolheu, ainda que o amanhã já lhe estivesse atribuído. Terá mesmo escolhido?

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Profecias



Hoje trago a minha profecia... Várias são as que se estão falando... várias são aquelas em que não acreditamos. Muitos de nós, na nossa vida quotidiana profetizamos os passos evolutivos e ou regressivos de que somos alvo. Porque os desejamos assim de facto.

É controverso por um lado, mas as decisões futuras já conhecidas ao nível de super ego, trazem-nos uma segurança (not) que valida as nossas profecias.

Quantos de nós, assumem uma postura de expectiva inexistente sobre o que nos aconteceu. Tipo: "Já sabia"..."comigo é sempre assim, ou mesmo "nem poderia ser de outra maneira" entre tantas expressões. O factor surpresa pela positiva é algo que pouco toleramos. A própria resposta positiva traz emoções ambivalentes como resultado de não sermos merecedores disso mesmo. Portanto, o melhor é profetizar para que a nossa imagem fique bem obscurizada e se alimente dessa avareza que é não saber reconhecer momentos de luz.

Ora bem, numa Era como esta, em que estamos todos meios baralhados com o nosso papel na humanidade, talvez seja bom profetizar que em caso de eclipse, eu quero ficar do lado da LUZ.

Obrigada. :)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Penso eu....!



Cada um tem a sua leitura e interpretação dos factos... a cada um lhe é dado o direito de sentir o que bem quiser... a cada um é dada a liberdade de expressão... de escolha...

Cá para mim, uma martelada na cabeça é sempre uma martelada na cabeça. Dói e deve na minha perspectiva ser considerada uma agressão. Logo, o outro um agressor. E por fim, significa isto que nos devemos afastar de quem nos agride (mesmo que esta agressão seja envolta em mensagens emocionalmente vinculativas).

É só.

Os agressores à nossa volta, só diminuirão quando nós definirmos os nossos limites. Penso eu.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Lua crescente


Nunca é demais saber, apesar de estarmos na lua nova é aqui que me sinto. Tem graça...

"A lua, que muda de fase constantemente, representa a ciclicidade da natureza e a renovação contínua a qual todos estamos sujeitos. Ela também representa as emoções e nossos humores que são regidos por esse astro. Usar um crescente nos cabelos simboliza que Shiva está além das emoções. Ele não é mais manipulado por seus humores como são os humanos, ele está acima das variações e mudanças, ou melhor, ele não se importa com as mudanças pois sabe que elas fazem parte do mundo manifesto. Os mestres que se iluminaram afirmam que as transformações pelas quais passamos durante a vida (nascimento e morte, o final de uma relação, mudança de emprego, etc.) não afectam nosso ser verdadeiro e, portanto, não deveríamos nos preocupar tanto com elas."

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Deixar entrar o amor...



Esta é a minha filha este fim de semana. A sua felicidade e alegria transbordam por todo lado... e claro, um pai atento que apanha o segundo exacto para fixar este momento.

Hoje, através da minha princesa, escrevo para menina que será adoptada e fará parte do nosso circuito de amigos e crianças. Escrevo pelas pessoas que têm a coragem de adoptar uma criança numa fase da vida em que tendencialmente não assumimos riscos. Escrevo pelas mulheres que foram mães a tempo inteiro que perderam a dezena profissional das suas vidas. E que vivem bem com isso. Escrevo pela minha outra menina que já partiu, mas que todos os dias permite que sintamos o seu amor. Escrevo pelas mulheres que ainda não conhecem a maternidade e que a vida as mantém assim. Escrevo porque nestes 4 anos nem sempre usufruí do privilégio de ser mãe com a naturalidade devida... Sinto mesmo, que escrevo porque a maternidade deixou entrar o amor em mim... E isso faz-me feliz.

Que sejas bemvinda e muito amada, Biana.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Fechar os olhos...



Estava à procura de imagens que me lembrassem a palavra "confronto" quando me surgiu esta fotografia. Fiquei atenta, focada, a tentar compreender o motivo da fotografia. A escrita fugia-me para a minha necessidade de continuar a confrontar o que me parece rídiculo, desintiligente e até ofensivo por vezes no ser humano. O reforço desta necessidade intrínseca de acharmos sempre que somos mais espertos que os outros, que não necessitamos de ninguém e que o meu interesse prevalece sobre o outro.

Provavelmente vou morrer velhinha com este tema na cabeça, mas sofro de uma tremenda dificuldade de adaptação ao "yesman" ou mesmo ao "follow the leader". Isto significa apenas, que deixámos algures nesta relação, de pensar e pior, de sermos nós próprios. Com toda a coerência que isso exige.

Volto a esta imagem. Quantas vezes por dia na vida, olhamos para o nosso espelho interior e em jeito de acerto de contas, a imagem reflectida nos mostra o que sabemos lá estar mas não deixamos ver?

Fecha os olhos. Ou então abre-os naturalmente e olha de frente para ti. Ajuda, se o fizeres igualmente para os outros.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Thoughts



O mais estranho é que nos dias que correm já ninguém dá valor a coisa nenhuma. Até ao dia, em que precisamos de recorrer e pedir um milagre...

quarta-feira, 8 de julho de 2009

QUANDO OS ANJOS SE TRANSFORMAM EM DEMÓNIOS



Este texto não é escrito por mim, mas hoje tinha de ter lugar neste blog. Para ti minha amiga.

"Hoje perdi um anjo…um anjo da terra. Porque o meu anjo, que mora no céu, nunca me abandonará.

Um anjo de sorriso fácil e dócil. Um anjo de olhos infinitos.

Um dia chegou até mim, personificado de cirurgião plástico. Aproximou-se devagarinho e seguro, como quem sabe tratar das feridas graves que deixam cicatrizes. Trazia um bisturi e com ele a promessa de que “alisaria” a cicatriz mais profunda que existe no ser humano. Operou, tratou, trilhámos um caminho de 3 anos…um caminho de verdade (senti eu)!

Um dia, numa intervenção repentina, quando a cicatriz inicial estava a perder a fealdade que sempre teve, feriu-me ao lado (com esse mesmo bisturi).
Claramente uma ferida de proporções diferentes daquela que se propôs tratar…mas, mesmo assim, uma ferida profunda, daquelas que deixam cicatrizes!

No mesmo dia, no mesmo mês, 8 anos depois.
Hoje passei um dia no inferno…lá, onde vivem os demónios!
E agora quem me vai ajudar a sarar esta ferida…e a marca que deixará?"

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Cartão-de-visita emocional




À medida que vamos "crescendo", assumindo funções, representando papéis na sociedade, e em tantas outras coisas, somos tacitamente convidados cada vez mais a não dizermos isto ou aquilo. Porque não se diz, porque é inconveniente e porque se o fizermos claramente estamos a escolher.

Quem me conhece, sabe da minha eterna dificuldade em "fazer de conta". Numa altura em que à nossa volta verificamos que as pessoas estão a perder a sua identidade devido à confusão que o medo e a perda podem trazer, persisto na minha inconveniência. O que é que nos fára aceitar a humilhação, o ridículo ou mesmo a relação cínico-jocosa?
Nos meus anos de Psicologia (em que pouco estudei, mas julgo ter ainda algumas noções básicas...) explicavam-nos que a dinâmica de poder e de humilhação deriva na maioria dos casos da relação que vivemos com os nossos progenitores.

Ora bem. Numa 1ª análise, nas empresas, na política, nas escolas, nas universidades cada vez mais conhecemos casos de pequenos e grandes ditadores que praticam esta táctica em permanência. Tenho para mim (expressão que adoro), que a geração dos meus pais, tios e avós valorizavam características como o respeito, a honra, a virtude entre outras... as teorias psicológicas que remetem para a nossa origem esta questão, defende ainda que nós somos o que fizeram de nós. Isto é desde logo, para mim, controverso na medida em que trabalha a culpa dos progenitores e permite o motivo aos adultos crescidos.

E "nós" seres autónomos, independentes, supostamente emocional e psicologicamente formados onde estamos?! Não deveríamos fazer parte do que somos?! Desenhar o nosso cartão-de-visita emocional à nossa imagem e saber?! Contrariar e redefinir o que sentimos que é a nossa essência e natureza?!

Qui ça um dia destes possamos passar a entregar um cartão-de-visita emocional. Estaríamos todos mais atentos.

terça-feira, 30 de junho de 2009

As marcas de "nós". Nos (dos)outros...



Não resisto a brincar a com palavra "nós"... a semântica é um desafio... Em tempos escrevi sobre os "nós" apertados, que não são fáceis de deslaçar e condicionam a liberdade do crescimento pessoal...

Esta semana tem sido nuclear nas histórias de filhos com os pais. Em primeiro com a morte do M. Jackson e a postura de seu pai, aparentemente tirano (qual peixe dentro de água!) a dar sinais de total insensibilidade à morte de seu filho... depois com os próprios amigos à minha volta a lidar com os filhos de forma intemperada e brutalmente castradora. Comigo enquanto mãe (às vezes "solteira" ;) ) sem paciência para me dedicar como gostaria... enfim com a minha própria vivência que deriva de uma família estonteantemente emocional.

Descobri, que nós raras vezes olhamos para a história da pessoa que nos acompanha, caindo sempre num erro repetido por gerações que passa por achar que o outro "É" qualquer coisa.

Mas não, não "é", transformou-se.

Algures num programa de tv, um cirurgião plástico estrondosamente conhecido, retirado da sua família e da pobreza em criança, e com um igual ódio de morte ao seu pai pelos maus tratos, decide encontrar-se com ele passados 35 de ausência deliberada. O encontro é brutal, pois o choro e medo são constantes. Mas durante este processo (em jeito de resumo) o filho pergunta-lhe como era a relação dele com o seu pai. Este responde, que todos os dias o pai (avô do cirurgião) lhe batia várias vezes ao dia. O cirurgião fica esterreado e pergunta - é por isso que me batias? Não há resposta, só lágrimas de arrependimento e perdão. Num momento de clara lucidez e maturidade emocional, o filho afirma:

- OK... já entendi. O teu pai foi um monstro contigo, tu foste um monstro comigo, talvez um pouco melhor... eu espero não ser um monstro, de todo, para o meu filho e com sorte o meu filho já vai estar curado desta doença com os filhos dele.

São precisas gerações inteiras, para que superemos tantos “nós” e tantas marcas que nos deixam e que nós deixamos nos outros… boas e más. Vale a pena não esquecer isto.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O dia de subir as escadas




Só quando a vida nos abre a porta para um caminho desconhecido, é que vemos a imensidão das escadas à nossa frente. Nesse momento olhamos para trás, para o que deixamos para trás, para o que deixamos de viver se seguirmos as escadas. Geralmente ficamos assustados.

Quase nunca temos uma oportunidade de enganar o destino e não subir as escadas, mas os que têm dizem nunca esquecer esta imagem... e o momento em que fecham a porta e regressam às suas vidas normais é sempre uma nova chance para ser outro Ser.

Às vezes penso que seríamos todos melhores para nós e para os outros, se respeitássemos mais esse dia de subir as escadas.

Para quem ontem iniciou a subida destas escadas, uma boa viagem.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Saborear



já lá vão uns anos, em que o final de tarde era para mim uma espécie de jubileu, em que claramente antevia um serão sempre mais ou menos imprevisto. Este calor faz-me sempre pensar em estar numa esplanada à beira-mar até altas horas da madrugada.

Vamos cresecendo, e a força contrária às nossas vontades tenta sempre vencer pelo cansanço... e vence muitas vezes.

Este fim de semana, vou apenas saborear o tempo magnifico que se avizinha. :) haja o que houver!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Estranhezas...



Todo o instinto mal calculado, quase que diria mesmo provocadoramente enganado. Acho mesmo, neste segundo em que escrevo, que as pessoas estão confusas. Eu estou confusa. Não há laços, não há vinculo, não há ordem nem virtude...
As crianças desalinhadas, as famílias desarticuladas mas em movimentos marionetizados cumprindo os mínimos.

Há dias dificeís, como hoje. Nada hoje bateu certo, como se toda a minha abordagem representasse apenas a estrondosa regressão da vivência. Tanta agressividade...tão perto de mim. Só posso estar a chamá-la, afónica e em surdina. Meses de calor num frio cortante.

O que me ensina a vida que pareço nunca mais aprender?

terça-feira, 26 de maio de 2009

Ausência de ...



Vou estar ausente alguns dias. De férias, boas férias.

Confesso que estou cansada, mas não é de trabalho, nem dos outros, nem de mim. Estou cansada dos recomeços, dos permanentes inícios... das repetições, dos padrões, das rotinas e de tudo o que já sei que conheço e não quero.

Trust. Precisamos de gente com muito disto.

domingo, 24 de maio de 2009

Todos juntos...



A minha vida é assim. Aparentemente sigo para o lado inconveniente. Ia escrever sobre a sensação de desilusão que sinto por vezes deixar nos outros, por não dizer sempre o que é correcto, expectável e conveniente.

Ao encontrar a imagem, penso que basta, não preciso escrever mais nada.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

ADOROOOOOOOOOOOO!

Este video é e está brilhante. É uma pena que nem todos entendam a mensagem...


terça-feira, 19 de maio de 2009

Nada como desafiar os desafiantes


Há malta eximia nisto, e os "psis" são um caso sério.

Quando te parecia que afinal estavas baralhada e meio perdida com a tua própria essência e vivência, há sempre uma mãozinha amiga para te ajudar a conhecer a verdadeira complexidade.
Cada vez mais tenho respeito por quem se protege de ultrapassar a barreira de identidade do alheio. Na maior parte das vezes, adultos e ainda em construção.

Que raio de mal existirá no crescimento em adulto? Tem de se nominar desenvolvimento, maturação, incremento de "skills" para que seja reconhecido. Franca e claramente, julgo que quem desafia a vida do outro de uma forma gratuita (quanto ao acto em si e não à carteira) legitimando-se na pele de grande pensador "psi "deveria à partida, trazer curruculum com terapia, psicanalítica, de grupo de preferência e por 4 anos.

Aceita o desafio?

sábado, 16 de maio de 2009

Para a minha mãe



Por tudo o que és e representas.
Pela mulher diferente que significaste na tua época...
Mas simplesmente por entrares numa nova década com a excelência de ti mesma.

Obrigada, mãe!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Para ti J. de nós...



"Sim, reconheço a tua verdade e respeito-a. E admiro a tua partilha. E tenho uma ideia da tua dor. O meu caminho tem umas pedras aguçadas, o teu tem outras. Eu também estou agora a começar a ser verdadeiro comigo mesmo e tenho um longo percurso pela frente. Gosto de te ter perto ao longo deste percurso, mas sei que os nossos caminhos são independentes, separados. Não quero repetir nenhum dos meus estúpidos padrões. Não sei como, mas talvez descubra. E também te adoro Princesa.."

segunda-feira, 11 de maio de 2009

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Basta conseguir



e isso nem sempre é fácil. Escutar a nossa própria ansiedade é tremendamente difícil, mas o reconhecer a nossa atitude calma também deve ser valorizado devidamente.

Mas não nos baralhemos: "stay calm" é diferente de "be calm" ...e isto muda tudo.

É gratificante sabermos de nós. Mesmo que não achemos graça aos lugares que de quando em vez visitamos... sabemos onde estamos e ponto. Aqui sim, toca a aplicar se conseguirmos, "stay calm".

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Consumidores conscientes PRECISAM-SE !



hoje recebi um mail desta organização que muito admiro avaaz.org sobre o provável início do vírus H1N1 e que dizia o seguinte:

"Ninguém sabe ainda se a gripe suína vai se tornar uma pandemia mundial, mas está ficando cada vez mais claro de onde ela veio: muito provavelmente de uma gigantesca fazenda industrial de criação de suínos mantida por uma corporação multinacional americana em Veracruz, México.

Essas fazendas industriais são repulsivas e perigosas e se multiplicam rapidamente. Milhares de porcos são brutalmente comprimidos para dentro de celeiros imundos e recebem um jato com um coquetel de drogas, pondo em risco sanitário mais do que simplesmente nossa alimentação. Esses animais e suas lagoas de estrume criam as condições ideais para gerar novos e perigosos vírus como o da gripe suína. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO) precisam investigar e criar mecanismos de controle para essas fazendas a fim de proteger a saúde do mundo."

O que será necessário dizer mais? O que nos fará fazer de conta e ignorar todos os dias o que comemos?! Não entendo. Mesmo nada.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Cada pedra no seu lugar...



Assim mesmo. Até pode ser uma pedra, mas é leve, suave e colocada em conjunto com tantas outras faz todo o sentido. Às vezes nem esta harmonia conseguimos ver.

A estabilidade desta imagem tranquiliza-me, acalma-me. Assim mesmo. Quem as lá colocou, delicadamente uma em cima da outra, apenas no acto delicado de empilhar pedras, teve um propósito...e para mim é este. Obrigada, faz-me bem.

"Um homem inteiro é também um homem que, após ter fugido da sua sombra ou tê-la negado, acaba por aceitá-la e por amá-la como a si mesmo. Jean-Yves Leloup"

Uma Mulher também.

terça-feira, 28 de abril de 2009

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Agradecer à TERRA


tudo o que nos dá.
Energia...
recursos
raízes
solo
equilíbrio e estabilidade.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Neste preciso momento...



...era assim que eu queria estar. Assumidamente em queda livre.

Tudo parece mais fácil, quando não temos alternativa e não há a mágica mochila que se abre para nos parar. Que liberdade tão grande quando a entrega à realidade é rapidamente assumida por falta de comparência da superficialidade.

Primeiro achamos que não somos capazes e só saltamos com rede e mochila. Com o tempo, acabas por dispensar esse conforto, não porque não o queiras, mas por respeito a ti. E aí, saltas.

Quando te confrontas com a pergunta: - queres saltar? - dizes que nem por isso. E ficas então presa à tua decisão. A queda dá-se na mesma, mas nesse preciso momento, já nem sentes dor... nem outra coisa qualquer.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Perspectivas



Quantas és afinal? Uma, duas ou cem não interessa. Tens demasiada vida para saber que uma não pode chegar. Sorrio quando nos reconheço em todas, em tantas, que raras vezes as vi.
Se as tentares descrever vais sempre falhar, não existem, são verdadeiras fantasias de menina.
Quando crescemos, só olhamos um sentido. Quando crescemos de facto, entendemos os outros sentidos que andam de mão dada connosco. Julgo que é quando levamos um puxão.

Perspectivas.