sexta-feira, 3 de julho de 2009

Cartão-de-visita emocional




À medida que vamos "crescendo", assumindo funções, representando papéis na sociedade, e em tantas outras coisas, somos tacitamente convidados cada vez mais a não dizermos isto ou aquilo. Porque não se diz, porque é inconveniente e porque se o fizermos claramente estamos a escolher.

Quem me conhece, sabe da minha eterna dificuldade em "fazer de conta". Numa altura em que à nossa volta verificamos que as pessoas estão a perder a sua identidade devido à confusão que o medo e a perda podem trazer, persisto na minha inconveniência. O que é que nos fára aceitar a humilhação, o ridículo ou mesmo a relação cínico-jocosa?
Nos meus anos de Psicologia (em que pouco estudei, mas julgo ter ainda algumas noções básicas...) explicavam-nos que a dinâmica de poder e de humilhação deriva na maioria dos casos da relação que vivemos com os nossos progenitores.

Ora bem. Numa 1ª análise, nas empresas, na política, nas escolas, nas universidades cada vez mais conhecemos casos de pequenos e grandes ditadores que praticam esta táctica em permanência. Tenho para mim (expressão que adoro), que a geração dos meus pais, tios e avós valorizavam características como o respeito, a honra, a virtude entre outras... as teorias psicológicas que remetem para a nossa origem esta questão, defende ainda que nós somos o que fizeram de nós. Isto é desde logo, para mim, controverso na medida em que trabalha a culpa dos progenitores e permite o motivo aos adultos crescidos.

E "nós" seres autónomos, independentes, supostamente emocional e psicologicamente formados onde estamos?! Não deveríamos fazer parte do que somos?! Desenhar o nosso cartão-de-visita emocional à nossa imagem e saber?! Contrariar e redefinir o que sentimos que é a nossa essência e natureza?!

Qui ça um dia destes possamos passar a entregar um cartão-de-visita emocional. Estaríamos todos mais atentos.

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