quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Better together



Vivemos na época em que a sociedade considerada evoluída, estimula um caminho interior de grande competência individual. Antigamente, as pessoas, os amigos, as famílias ajudavam-se. E… mal ou bem, vivia-se com alguma partilha, debaixo do mesmo tecto e às vezes até comendo do mesmo prato ou panela.
Claramente o sucesso de uns era resultado de um apoio de outros. Porque os negócios eram transferidos de geração para geração, porque o Patrão ajudava o filho(a) da empregada que lá estava em casa ou mesmo somente porque era jovem e era preciso “dar um empurrão”. Ou porque simplesmente era assim.

Hoje em dia, não só não precisamos dos “velhos” como caso precisemos (porque a vida é muito astuta) é dever deles ajudarem. Com empréstimos, com apoio aos netos, com refeições ou outra coisa qualquer… Isto só no caso de estes serem independentes e autónomos pois caso contrário, já dão trabalho a mais. Não queremos.
Mas isto surgiu hoje porque é com alguma tristeza que assisto a muita gente à minha volta a necessitar de ajuda (inclusive na minha própria família) e as pessoas que o podem fazer ficam como que estagnados à espera que haja alguém que ajude. Acho mesmo que pensam que há-de surgir de algum lado… deles é que não. Mas a constante cerimónia para os que não são da família, lá está. É mais fácil mostrarem-se disponíveis para os de fora do que para dentro. Corrijo: não ajudam de facto, mostram-se disponíveis.

Os conceitos são totalmente diferentes,” estar disponível” e “ajudar de facto”.

Todos se interessam mas toca a fugir, antes que sobre para mim. É difícil ajudar. É difícil escutar a tristeza e os queixumes dos outros…estamos sem paciência, sem vontade de fazer parte dessa emoção.
Resultado prático: fazemos de conta. Voltamos às reminiscências da infância e brincamos com a realidade como se fosse uma fantasia. Mitómanos por excelência. E por isso não precisamos de ninguém, fazemos tudo sozinhos. Vivemos sozinhos (pois viver em conjunto dá muito trabalho), criamos filhos sozinhos (porque as nossas mães assim fizeram e nós, mulheres, mesmo a trabalhar também deveremos saber fazê-lo) e por fim auto sustentamo-nos emocionalmente porque não podemos entrar em borderline e entrar em depressão.

Não quero parecer cansativa, mas à minha volta muita gente tem receio de pedir ajuda. Ou será vergonha? Há sempre um preconceito na ajuda nos dias de hoje, a menos que seja um voluntariado que cumpra com as exigências da responsabilidade social…
Pois é. Eu cá cada vez mais preciso de ter ajuda à minha volta. Cada vez mais preciso de confiar nas pessoas que me envolvem, cada vez mais me traz bem-estar com elas. Cada vez mais sinto que sozinha sou quase nada. Gosto e PRECISO de receber. E cada vez mais NÃO QUERO gente fantasiada ao meu redor. É fantástico saber o que queremos.
Para ti. E vou claramente ajudar-te.

2 comentários:

  1. Acabei de ler esta mensagem e não podia ser mais oportuna. Conheço a causa específica deste desabafo, mas a carapuça há-de servir a muitos, a mim também. Humildade é um valor cada vez mais escasso: precisamos voltar a tê-lo e a senti-lo para PEDIR AJUDA e libertar-nos deste cgonome Super que antecede normalmente o Mulher, e sim, também o Homem. Mas também, e isto sim, é urgente, para transformar essa disponibilidade em acção. Mais uma vez, recebo um alerta deste blogue. (Quase tem o efeito da Oprah, também me desperta p'ra muita coisa! :D)

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  2. Better Together, 100% de acordo!
    Mas sempre com quem está realmente à nossa volta. Podem até estar mais atrás ou mais à frente (e não bem ao lado), mas rodeiam!
    E há pessoas dessas, garanto.
    Provei-o, a mim mesma, quando passei por situações "limite" na vida... e é nessas alturas que sabe bem, de verdade, ter alguém (com quem nos identificamos) por perto.
    Com uma certeza...tornamo-nos mais apurados na "filtragem" :)

    Ajuda,é sempre bem vinda. Excelente post.

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