
Não sou fã dos portugueses em geral. Não sou fã do meu comportamento, muitas vezes conivente com os portugueses. Mas enfim, consigo reconhecer que este cantinho também traz vantagens. Este meu lado controverso por vezes faz-me pensar que viveria melhor, mais naturalmente em qualquer outro lugar.
Vivo num condomínio, na zona antiga e degradada da cidade de Lisboa. Temos um pequeno jardim que nos permite reuniões de vizinhos e da criançada. A minha filha é única (para já) e tem tido através deste espaço algo que não vejo na cidade de Lisboa... amigas a brincar cá em casa... partilha de brinquedos... aprendizagem sobre regras do espaço dos outros... entre outras vantagens que resultam desta convivência que nós pais também providenciamos.
À minha volta, observo "n" crianças que não nutrem qualquer tipo de respeito pelos pais, ou pelo outro. Confesso que sinto uma grande culpa às vezes quando me passo com a minha pequenita, mas reconheço que até agora, ela pelo menos conhece os limites. Tenho medo de perder isto e fico aterrorizada quando observo pais com medo de dizer não, antecipando um problema com o qual se sentem à partida derrotados.
Todos os dias a minha princesa nos coloca à prova. Todos. Chega a ser totalmente desgantante mas não deixa de ter piada.... (às vezes). Pergunto: que partilhas tivémos nós em crianças que bastava o meu pai olhar para mim e eu já nem respirava? O que mudou hoje afinal e para que tanto se escreve sobre um tema de ciência viva, que resulta numa mensagem perfeitamente antagónica? .... Pediatras que defendem exactamente o oposto para a mesma situação ... pais e mães que testam nos filhos (quais ratos de laboratório) dezenas de prácticas baralhando muitas vezes a própria criança? E depois? Que nos mostram as crianças? Que nada querem...nada os satisfaz... nada é valorizado.
Estaremos assim tão perdidos afinal que a partilha e a pertença já não têm lugar aqui? Enfim, quanto mais vivo de ser mãe mais observadora fico. Faço muito de errado com a educação da minha filha. Mas sei que no dia em que desistir de a educar e deixar andar (os pais de hoje protegem-se no "deixa andar" para assinalar a descontração, sim, porque hoje temos que ser descontraídos...) perdi-me a mim em 1º lugar e depois a minha filha.
As crianças crescem tiranas e baseadas em TER. Muito. As escolas ajudam. Os pais tambem. E eu sou mãe.
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