terça-feira, 7 de abril de 2009

Podemos sempre escolher...



À nossa volta assistimos às separações de pessoas que se amaram, que construíram em tempos um percurso comum. Eu própria sou filha desse percurso.
Apetece-me dizer que quando nós estamos envolvidos e apaixonados, há uma aura que nos faz acreditar no inacreditável. Não por não sermos capazes de amar a mesma pessoa uma vida inteira... não por sermos suficientemente subservientes perante as dificuldades. Não porque deveríamos colocar os pés na terra e não acreditar em fadas...
A separação traz a culpa. Mas a relação também... o ser humano enquanto "parte de" tende para incluir o poder, o absolutismo e até mesmo a arrogancia da necessidade. Quem necessita do quê afinal? O que nos faz estar numa relação até ao infimo desgate? O que nos pára na tomada de decisão, fazendo-nos balouçar como se de um parque infantil se tratasse, e impede de dizer: vou sair.
Quantos sinais recebemos e neutralizamo-los como se nunca tivessem aparecido?
E porquê aceitar o difícil, o incalculavel, o inesperado só para não ficar sozinha? Será mesmo isso que queres? Que mal tem ficar sozinha? E porque é que a verdade é tão dificil de fazer valer?
Para ti J. para ti R. e para ti V. há começos e finais, cada um está já a escolher:
- começar várias vezes na vida sempre no mesmo padrão ou nem por isso
- manter o que já não tem saída, utilizando "o rebentar da corda" como catalisador
- finalizar 1 ou 2 (3 , 4 ...) vezes na vida porque se respeitam em 1º lugar, e depois ao outro e aos filhos...
...ou simplesmente aceitar que a vida é mesmo isto. Muitos avanços e recuos mas sem a arrogância do apego ou propriedade. Nenhum de nós está aqui, neste lugar de hoje, para sempre.

7 comentários:

  1. O apego é algo de inexplicável...
    O ser humano apega-se a coisas, a momentos, a pessoas, àquilo que o faz sentir-se "agarrado".
    E, talvez aí, esteja a grande dificuldade em romper...para ficar sozinho?!

    Mas mesmo aqueles apegos que são para toda a vida (os filhos) têm a sua hora de vôo.

    No dia em que soubermos lidar com isso, talvez saibamos lidar com o resto (ou talves não...).

    E não é verdade que quando balançamos, voltamos a ser pequeninos? No colo da mãe ou no berço que nos embala...

    Só que agora, estamos por nossa conta e risco.
    Mas às vezes compensa arriscar!(...)

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  2. "...Que reflector devo acender para encontrar nessa escuridão, aquele momento único, aquele milésimo de segundo em que algo cessa entre duas pessoas ?..."

    Retirado do livro que estou a ler agora. Nem de propósito...!

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  3. ...Se chorei ou se sofri o importante é que emoções eu vivi...

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  4. Anita... divorcio em Buda... conheço bem essa frase.
    Cecil... é isso mesmo! Antes vivê-las do que nem por isso.
    Anónimo... compensa sempre arriscar!

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  5. Afinal o sal da vida não está só na mudança...
    Também está nas emoções que se vivem e nalgumas que se revivem!

    Desde que nos preencham e não nos castiguem, claro.
    Hoje ando por esse caminho...já merecia!

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  6. Ora para onde é que eu tenho que enviar a quantia? ;)

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  7. Uma vida a dois é dificil de construir e de manter, lutamos constantemente para melhorar o nosso bem estar e queremos proporcionar esse bem estar aos nossos filhos. Romper e abdicar destes padrões é muito difícil! Arriscar uma nova fase é tentador e ao mesmo tempo assustador!

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