"Olá V.
hoje tinha 2 hipóteses. Ou escrevia para onde escrevo obsessivamente há 44 dias, ou então cumpria o que hoje tão claramente pedi. E foi isso que decidi. Aqui e agora só me restava escrever para a outra pessoa que hoje me fez sentir assim tão bem. A minha vida está um caos. Resultado do privilégio de ser amada. Da dualidade. Da luta contra a melhor sensação do mundo que é amar, apaixonadamente. Mesmo o aparentemente diferente.(!) Ainda assim, não me arrependo de ter chegado aqui, arrependo-me sim, de não o ter podido evitar. A forma como hoje sou amada...por 2 Homens especiais, raros e invulgares...faz-me pensar se amei alguém de verdade. Sinto que não. Não seria capaz de passar por tais provas de vida. Sinto-me dilacerada, envolvida numa ambivalência sem fim. Esta minha fuga e silêncio de todas as que me são mais queridas, revela-me isso mesmo. A verdade do que sinto agora. Talvez tenhas sentido algo hoje. Talvez não. Mas hoje foi mais um dia forte. (tenho tido vários...) E o filme que me convidaste a ver, levou-me a viajar por mim, pelos objectivos, pelo verdadeira razão do SER. E de forma muito lúcida, consigo identificar que há sentimentos que não se partilham. Sentem-se. Somente. Talvez o navio seja isso mesmo. O sitio para ficar. Talvez a cidade traga muitas alternativas que não nos permitem escolher... A arte depende disso mesmo, do valor que damos ao que temos. Mas criar necessita de um espaço diferente. (quero acreditar) É uma nova aprendizagem para mim, enquanto amante, mulher, adulta.A transformação já se iniciou. Agora tudo segue o seu caminho sem controle aparente. Sinto que estou a ser ambígua no que te escrevo...perdoa. Não consigo explicar mais. Tenho esperança que estas palavras te tragam mais para perto do turbilhão que hoje vivo. Continuo a procurar a luta básica da minha essência. Que a vida te traga tudo o que sabes poder SER. "
E que viagens que o calendário nos traz, conduzindo-nos em círculo para não nos esquecermos dos nossos próprios passos. Para saborearmos a viagem e olharmos para a noite com outros olhos, para acolhermos o dia com a memória do amanhecer. Para sairmos de navios familiares e descobrirmos o rumo na cidade das horas. Um bom programa afinal... Regressar ao navio e ouvi 1900 teclas em sequência...
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