
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já não têm a forma do nosso corpo e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo de travessia e se não ousarmos fazê-la teremos ficado para sempre à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa
Nestas últimas semanas como que numa coincidência contextual, dou comigo a fazer parte de uma série de amigos que se estão a separar. O meu papel é e sempre será o mesmo. Não acho que se deva tentar, quando a nossa emoção já nos levou para outra realidade que não aquela que vivemos com determinada pessoa.
Acho claramente que a Monogamia (sim, a monogamia não o casamento) por uma vida inteira é um mito. Acho que para se estar junto só pode ser porque se quer continuar. Todas as morais à volta deste tema são, na minha perspectiva, véus de seda de algumas mentiras sociais que no fundo só atrasam a nossa evolução. Quantas de nós conhecemos que estão simplesmente por lá... cumprindo os rituais do casamento, sem qualquer noção da sua própria identidade interior? As nossas avós, as nossas mães e mulheres à nossa volta cumpriram em tempos um papel, um objectivo que na falta de tantos outros, apenas restava aquele que era simplesmente estar ali.
Tenho claramente telhados de vidro. Já me separei de um amor em tempos verdadeiro. E foi, mas também evoluiu à minha margem. Passados estes anos, descubro que hoje sou mais eu (ainda em grande investigação, por vezes até aparentemente insaciável). Comigo hoje outro amor, mais perto de mim. É difícil manter a expectativa da continuidade. É difícil não viver outros mundos. Mas é muito mais fácil e simples sentir que queremos esse amor aqui, agora, e ao nosso lado. O resto não somos nós que mandamos...
O importante é que nas dificuldades tão naturais deste percurso nunca nos sintamos à margem de nós mesmos.
Para vocês mulheres da minha vida que passam hoje por este percurso, parabéns por não se terem permitido ficar à margem da vossa verdade.





