terça-feira, 18 de agosto de 2009

Ops!


este blog está a ficar demasiado catártico....

Crianças



Não sou fã dos portugueses em geral. Não sou fã do meu comportamento, muitas vezes conivente com os portugueses. Mas enfim, consigo reconhecer que este cantinho também traz vantagens. Este meu lado controverso por vezes faz-me pensar que viveria melhor, mais naturalmente em qualquer outro lugar.

Vivo num condomínio, na zona antiga e degradada da cidade de Lisboa. Temos um pequeno jardim que nos permite reuniões de vizinhos e da criançada. A minha filha é única (para já) e tem tido através deste espaço algo que não vejo na cidade de Lisboa... amigas a brincar cá em casa... partilha de brinquedos... aprendizagem sobre regras do espaço dos outros... entre outras vantagens que resultam desta convivência que nós pais também providenciamos.

À minha volta, observo "n" crianças que não nutrem qualquer tipo de respeito pelos pais, ou pelo outro. Confesso que sinto uma grande culpa às vezes quando me passo com a minha pequenita, mas reconheço que até agora, ela pelo menos conhece os limites. Tenho medo de perder isto e fico aterrorizada quando observo pais com medo de dizer não, antecipando um problema com o qual se sentem à partida derrotados.

Todos os dias a minha princesa nos coloca à prova. Todos. Chega a ser totalmente desgantante mas não deixa de ter piada.... (às vezes). Pergunto: que partilhas tivémos nós em crianças que bastava o meu pai olhar para mim e eu já nem respirava? O que mudou hoje afinal e para que tanto se escreve sobre um tema de ciência viva, que resulta numa mensagem perfeitamente antagónica? .... Pediatras que defendem exactamente o oposto para a mesma situação ... pais e mães que testam nos filhos (quais ratos de laboratório) dezenas de prácticas baralhando muitas vezes a própria criança? E depois? Que nos mostram as crianças? Que nada querem...nada os satisfaz... nada é valorizado.

Estaremos assim tão perdidos afinal que a partilha e a pertença já não têm lugar aqui? Enfim, quanto mais vivo de ser mãe mais observadora fico. Faço muito de errado com a educação da minha filha. Mas sei que no dia em que desistir de a educar e deixar andar (os pais de hoje protegem-se no "deixa andar" para assinalar a descontração, sim, porque hoje temos que ser descontraídos...) perdi-me a mim em 1º lugar e depois a minha filha.

As crianças crescem tiranas e baseadas em TER. Muito. As escolas ajudam. Os pais tambem. E eu sou mãe.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Leituras.. de mim.



Sempre fui uma leitora estranha. Adoro ler, mas de há 4 anos para cá raramente consigo acabar um livro. Hoje tenho clara noção da canseira que tenho quando me proponho a ler um livro até ao fim... ainda não entendi se é pela obrigação que sinto em acabá-lo, se é pela antecipação da frustação por não o conseguir. Hoje mesmo, durante um almoço com a minha gémea, dizia-me ela que leu 6 livros nas férias. Sei bem que é capaz disso e muito mais! Sei bem que a vida dela, hoje, lhe permite isso... Mas sei que fico a pensar muitas vezes no que tenho perdido nestes anos abstémios de leitura.

Cá em casa tenho um leitor compulsivo, que em viagem ou mesmo através das suas próprias fugas consegue sempre arranjar tempo para devorar o livro que quer. Eu, nem esse impulso de devorar tenho... às vezes numa livraria compro impulsivamente com um prazer extraordinário, 2 a 3 livros. Em casa folheo-os na diagonal e acabo por me desinteressar. Quando vivia sózinha, lia muito, de tudo. Adorava o silêncio da minha antiga casa, mesmo que parecesse que existia a solidão nunca a senti. Parece que esse espaço me permitia essa vivência. Hoje a minha vida é plena de actividades e tarefas, e dou comigo a sair às 4h da tarde e podendo optar, claramente prefiro ir buscar a minha filha do que sentar-me a ler um livro... tem graça.

Isto da maternidade tem que se lhe diga. Ou então sou eu que a leio assim...

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Consegues ver-te?



É incrível como tudo se baseia na forma como nos percepcionamos. Cada vez mais assisto a gatos a acharem-se Leoes... A suposta sabedoria que aposta na teoria e que em nada se aplica na práctica. Gatinhos assustados com medo de existirem que se protegem em espelhos e auto imagens de grandes feras.

E claro, são teus amigos. Um dia gatinhos, no outro Leões predadores duma selva domestica. Pior, não têm qualquer noção desta passagem bi-polar.

Há dias assim, em que eu gostaría de dizer-lhes que os estou "a ver..." ainda que nada adiantasse à sua evolução.

Hoje aprendi mais uma lição:
-consegues ver-me?...

Escolhas


"My dearest Catherine, I miss you my darling, as I always do, but today is particularly hard because the ocean has been singing to me, and the song is that our life together."
Por algum motivo que não sei explicar, nunca tinha visto este filme... Vi-o esta noite.
Gostei, captou-me e retive o diálogo do pai (excelente Paul Newman) para o seu filho:
- escolhe se queres ficar no ontem ou seguir para o amanhã.
Ele escolheu, ainda que o amanhã já lhe estivesse atribuído. Terá mesmo escolhido?

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Profecias



Hoje trago a minha profecia... Várias são as que se estão falando... várias são aquelas em que não acreditamos. Muitos de nós, na nossa vida quotidiana profetizamos os passos evolutivos e ou regressivos de que somos alvo. Porque os desejamos assim de facto.

É controverso por um lado, mas as decisões futuras já conhecidas ao nível de super ego, trazem-nos uma segurança (not) que valida as nossas profecias.

Quantos de nós, assumem uma postura de expectiva inexistente sobre o que nos aconteceu. Tipo: "Já sabia"..."comigo é sempre assim, ou mesmo "nem poderia ser de outra maneira" entre tantas expressões. O factor surpresa pela positiva é algo que pouco toleramos. A própria resposta positiva traz emoções ambivalentes como resultado de não sermos merecedores disso mesmo. Portanto, o melhor é profetizar para que a nossa imagem fique bem obscurizada e se alimente dessa avareza que é não saber reconhecer momentos de luz.

Ora bem, numa Era como esta, em que estamos todos meios baralhados com o nosso papel na humanidade, talvez seja bom profetizar que em caso de eclipse, eu quero ficar do lado da LUZ.

Obrigada. :)