
À nossa volta assistimos às separações de pessoas que se amaram, que construíram em tempos um percurso comum. Eu própria sou filha desse percurso.
Apetece-me dizer que quando nós estamos envolvidos e apaixonados, há uma aura que nos faz acreditar no inacreditável. Não por não sermos capazes de amar a mesma pessoa uma vida inteira... não por sermos suficientemente subservientes perante as dificuldades. Não porque deveríamos colocar os pés na terra e não acreditar em fadas...
A separação traz a culpa. Mas a relação também... o ser humano enquanto "parte de" tende para incluir o poder, o absolutismo e até mesmo a arrogancia da necessidade. Quem necessita do quê afinal? O que nos faz estar numa relação até ao infimo desgate? O que nos pára na tomada de decisão, fazendo-nos balouçar como se de um parque infantil se tratasse, e impede de dizer: vou sair.
Quantos sinais recebemos e neutralizamo-los como se nunca tivessem aparecido?
E porquê aceitar o difícil, o incalculavel, o inesperado só para não ficar sozinha? Será mesmo isso que queres? Que mal tem ficar sozinha? E porque é que a verdade é tão dificil de fazer valer?
Para ti J. para ti R. e para ti V. há começos e finais, cada um está já a escolher:
- começar várias vezes na vida sempre no mesmo padrão ou nem por isso
- manter o que já não tem saída, utilizando "o rebentar da corda" como catalisador
- finalizar 1 ou 2 (3 , 4 ...) vezes na vida porque se respeitam em 1º lugar, e depois ao outro e aos filhos...
...ou simplesmente aceitar que a vida é mesmo isto. Muitos avanços e recuos mas sem a arrogância do apego ou propriedade. Nenhum de nós está aqui, neste lugar de hoje, para sempre.