terça-feira, 30 de junho de 2009

As marcas de "nós". Nos (dos)outros...



Não resisto a brincar a com palavra "nós"... a semântica é um desafio... Em tempos escrevi sobre os "nós" apertados, que não são fáceis de deslaçar e condicionam a liberdade do crescimento pessoal...

Esta semana tem sido nuclear nas histórias de filhos com os pais. Em primeiro com a morte do M. Jackson e a postura de seu pai, aparentemente tirano (qual peixe dentro de água!) a dar sinais de total insensibilidade à morte de seu filho... depois com os próprios amigos à minha volta a lidar com os filhos de forma intemperada e brutalmente castradora. Comigo enquanto mãe (às vezes "solteira" ;) ) sem paciência para me dedicar como gostaria... enfim com a minha própria vivência que deriva de uma família estonteantemente emocional.

Descobri, que nós raras vezes olhamos para a história da pessoa que nos acompanha, caindo sempre num erro repetido por gerações que passa por achar que o outro "É" qualquer coisa.

Mas não, não "é", transformou-se.

Algures num programa de tv, um cirurgião plástico estrondosamente conhecido, retirado da sua família e da pobreza em criança, e com um igual ódio de morte ao seu pai pelos maus tratos, decide encontrar-se com ele passados 35 de ausência deliberada. O encontro é brutal, pois o choro e medo são constantes. Mas durante este processo (em jeito de resumo) o filho pergunta-lhe como era a relação dele com o seu pai. Este responde, que todos os dias o pai (avô do cirurgião) lhe batia várias vezes ao dia. O cirurgião fica esterreado e pergunta - é por isso que me batias? Não há resposta, só lágrimas de arrependimento e perdão. Num momento de clara lucidez e maturidade emocional, o filho afirma:

- OK... já entendi. O teu pai foi um monstro contigo, tu foste um monstro comigo, talvez um pouco melhor... eu espero não ser um monstro, de todo, para o meu filho e com sorte o meu filho já vai estar curado desta doença com os filhos dele.

São precisas gerações inteiras, para que superemos tantos “nós” e tantas marcas que nos deixam e que nós deixamos nos outros… boas e más. Vale a pena não esquecer isto.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O dia de subir as escadas




Só quando a vida nos abre a porta para um caminho desconhecido, é que vemos a imensidão das escadas à nossa frente. Nesse momento olhamos para trás, para o que deixamos para trás, para o que deixamos de viver se seguirmos as escadas. Geralmente ficamos assustados.

Quase nunca temos uma oportunidade de enganar o destino e não subir as escadas, mas os que têm dizem nunca esquecer esta imagem... e o momento em que fecham a porta e regressam às suas vidas normais é sempre uma nova chance para ser outro Ser.

Às vezes penso que seríamos todos melhores para nós e para os outros, se respeitássemos mais esse dia de subir as escadas.

Para quem ontem iniciou a subida destas escadas, uma boa viagem.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Saborear



já lá vão uns anos, em que o final de tarde era para mim uma espécie de jubileu, em que claramente antevia um serão sempre mais ou menos imprevisto. Este calor faz-me sempre pensar em estar numa esplanada à beira-mar até altas horas da madrugada.

Vamos cresecendo, e a força contrária às nossas vontades tenta sempre vencer pelo cansanço... e vence muitas vezes.

Este fim de semana, vou apenas saborear o tempo magnifico que se avizinha. :) haja o que houver!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Estranhezas...



Todo o instinto mal calculado, quase que diria mesmo provocadoramente enganado. Acho mesmo, neste segundo em que escrevo, que as pessoas estão confusas. Eu estou confusa. Não há laços, não há vinculo, não há ordem nem virtude...
As crianças desalinhadas, as famílias desarticuladas mas em movimentos marionetizados cumprindo os mínimos.

Há dias dificeís, como hoje. Nada hoje bateu certo, como se toda a minha abordagem representasse apenas a estrondosa regressão da vivência. Tanta agressividade...tão perto de mim. Só posso estar a chamá-la, afónica e em surdina. Meses de calor num frio cortante.

O que me ensina a vida que pareço nunca mais aprender?